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A vida é um bem privado?

A generosidade e a solidariedade são dois sentimentos, e comportamentos, que precisam ser resgatados.

Nossas vidas, afastadas das causas coletivas, e tomadas por tecnologias comunicacionais e interativas, nos dão a sensação de plena satisfação de nossas necessidades. Estamos vivendo uma época marcada pelo individualismo e, de certa forma, pelo egocentrismo. Temos a sensação que o mundo se transformou num simples processo de atendimento das ansiedades e prazeres individuais, quando, na verdade, só estamos neste estágio de avanço e desenvolvimento, graças aos processos coletivos, que nos presentearam com tantos avanços qualitativos.

O conceito de Estado, essa entidade que não passa de uma virtualidade, de um conjunto de procedimentos, de um elenco legal, é uma criação de muitos séculos. Séculos que geraram muito sofrimento, lutas, guerras, revoluções, execuções, para se chegar a atual forma aperfeiçoada de estrutura e instituições.

O Estado existe para ordenar a conduta humana e, como é administrado por humanos, surgem os conflitos gerados pela subjetividade, característica do comportamento humano, que faz cada ser ter uma objetividade e uma capacidade adicional de interpretar fatos, referências e referentes, tudo baseado em suas impressões, em seus contextos culturais, em seus meios sociais, em suas crenças políticas e religiosas, enfim, nenhum ser é igual ao outro.

Essa a função do Estado, a ordenação da conduta humana. Um grande avanço conceitual construído ao longo da história da humanidade, que representa um legado positivo. Mas a individualidade, uma necessidade humana para construir a sua identidade, não pode ser usada como ferramenta de egoísmo ou isolacionismo. Só somos o que somos por sermos protagonistas e observadores dos processos coletivos. O meio ambiente é coletivo, o ar que respiramos é coletivo, as águas dos mares, dos rios e do lagos são coletivas, ou seja, nossa vida depende do nível geral, e não podemos pretender transformá-la como se patrimônio privado fosse.

É urgente a reversão dessa tendência atual à vida segregada, apartada, como se pudéssemos viver em cubículos existenciais, sem o convívio e o aprendizado constante que a vida em conjunto significa. Essa, talvez, seja a palavra para este momento de retomada dos sentidos da vida coletiva. A ressignificação dos conceitos que o século XX nos permitiu criar, com a ilusão de que o consumo desenfreado, e a capacidade de acumular bens e objetos, pudesse suprir todas as demandas humanas.

Somos todos frutos de emoções de pessoas, que se amaram e nos geraram, dando-nos esse legado mágico que é a vida, um sentido que passamos o tempo todo tentando entender. O processo de ampliação de consciência pode nos ajudar nessas descobertas.

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