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A felicidade e os brilhos de cacos de espelhos

Todos vivemos em busca da felicidade. De forma objetiva, subjetiva, com coisas materiais, imateriais, sentimentos, seja o que for, sempre buscamos estar felizes.

Os seres humanos sempre se embriagaram com a luz, com o brilho e por isso procuram a vida nas cidades, buscam a luz, o brilho das joias e dos objetos materiais. Estamos vivenciando o período de maior desenvolvimento de soluções integradas para as pessoas.

Qualquer um, de qualquer lugar do mundo, pode acompanhar fotos, histórias, enviar imagens, ouvir sons distantes, falar com outras pessoas em real-time, on-line podemos acender as luzes de nossas casas, ver como estão nossos aposentos, ligar e desligar chuveiros, fogões, e muito mais.

Esse frenesi informacional, esse festival tecnológico, essa febre de instantaneidade, nos dá um pouco de tontura, nos alucina, nos deslumbra pelo poder que temos ao alcance das nossas mãos. Mas também nos torna mais individualistas, mais egocêntricos, mais isolados, mais sós. E, se não cuidarmos, mais tristes.

Começamos a sentir a falta dos contatos pessoais, vemos multidões de pessoas, paradoxalmente em grupo e solitárias, pois nos prendemos a telinhas, as imagens nos jogam em vertigens coloridas, e embarcamos em viagens de caleidoscópios alucinantes, mas com banco só para um, sem acompanhante, sem a alegria de compartilharmos sentimentos, sem a mão próxima para segurar, para trocar energias, para nos apoiarmos mutuamente, abandonando a solidariedade espiritual, por uma “solidão coletiva”.

As luzes efusivas desses processos, são como cacos de espelhos espalhados, que refletem as luzes e, que de longe, podem nos enganar, passando a impressão de ambientes muito vivos, muito alegres, muito iluminados. Mas são apenas cacos de espelhos espalhados, não passam de cacos de espelhos. As luzes reais nós as acendemos. Os ambientes nós os iluminamos. As luzes da alma dependem dos olhares humanos para serem transmitidas e recebidas.

Os abraços que soltam chispas dependem de duas pessoas, os sentimentos que geram chamas vêm de abraços efusivos, os beijos que fazem viajar têm que ser reais, diretos, de preferência acompanhados de mãos dadas, em conexão direta, interativa, emocionante.

Assim, não nos deixemos confundir, não nos embaralhemos por essa fase de muitos cacos jogados em vários lugares, somente para nos passar a impressão de muitas luzes.

Podemos estar no escuro com o espírito brilhante de amor, de emoção, de compartilhamento real, de exultante sensação de plenitude e felicidade.

Nós continuamos seres humanos, pessoas que dependem de outras pessoas para sermos felizes, pois essa é uma condição básica da nossa humanidade.

Somos seres de amor, pois do amor viemos, somos resultantes de momentos de profunda e intensa emoção entre duas pessoas, e passamos a vida abastecidos por sentimentos de alegria e tristeza, de amor e desamor, de euforia e depressão, mas sempre com muita esperança e capacidade de sonhar.

Cacos são cacos, e continuarão sendo cacos. Nossos pensamentos e sentimentos têm a força de gerar emoções fortes, genuínas, únicas, que sempre poderão nos colocar em patamares inéditos de emoções fantásticas, de amores alucinantes, de carinhos explosivos, de afetos incendiários.

Material e combustível para isso tudo estão em nossas almas, em nossos espíritos, em nossas vontades.

Vamos iluminar o mundo com amor?

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